Exposição ASSIMETRIAS-MAQUINARIAS

 

RESIDÊNCIA RASGO #6

curadoria e orientação de Raquel Stolf

assimetrias-maquinarias

modos de fazer/desfazer

assimetrias-maquinarias de passagem
fincam, fisgam
vazios circulantes
camadas ilegíveis

assimetrias reluzentes
perduram e escapam

(o fora do alvo)
o fundo ressoa no alvo?
cobrir a cobertura
(cobertura espessa ou transparente? opaca ou que se funde ao que encobre?)

vazios viajantes
sonhos simples
caroço, caruncho, coração, pedra

corpo da palavra:
como uma palavra vive, concreta e, ao mesmo tempo, incorporal?
o que uma palavra incorpora, come, cobre, aninha?

(escutar o pigarro de uma palavra, que respira)

a flecha e a adaga – o alvo é o fundo?

(proteção, esconderijo, segredo, não-ver/não-saber,
algo não visível que não é invisível – ou, algo provisoriamente escondido)
como cobrir? quando algo é coberto?
(e se não houver algo sob a cobertura?)

a maquinaria como pensamento-trama dentro/fora (entre)
vazamentos assimétricos de pensamento,
duração que retroage

camadas, entre escalas, cobertura das coberturas.
maquinarias – ações / verbos / corpos
(fragmento) (gesto)

mirar, desviar,
objetos respiram

O VAZIO DO ARTISTA
qual vazio? o pleno? o plano-trama? o vazado? o que desaparece? o que
desmancha? o que mancha? o que marca? o que (se) dissolve?

vazio como área movediça,
vazios ambulantes.
vazio que recebe presenças.

fração – zero:
o vazio como área de passagem.
(entre vazios e cheios)

a experiência de viajar como experiência de esvaziar (vazio e paisagem).
gestos de registro:

(trânsito de vazios)
(de súbito, outro vazio reluz na imagem)

frestas assimétricas

– e os livros, estão tranquilos?

algo recarrega o desejo.

ativar – editar textos como livros, traduzir via desvio.
o livro como canal que altera o que passa por ele.
o texto tempera o livro ou vice-versa?

A outra pergunta era: eu sabia quem eu era? (Ron Padgett)

narrar enviesando, vísceras do dia, antes-agora.
clareiras podem incendiar.
(algo de acaso e ocaso)
fim que se alonga, num fiapo que se debate.
*algo no corpo da voz do texto (leitura).
ler num fôlego sem saída (ler sem saída).

(viver um livro na leitura)
inventar modos de fazer/desfazer,
estar presente,
sob assimetrias-maquinarias.

em outro vazio,
um poema cru ou sonhos simples (Alice Nassu)
– mais que faca
os outros
marcam
*vazio-haikai: formas breves acontecem sem serem desbastadas.

(como traduzir a relação entre escrita e brevidade?)

(fraturas de sentido)

leveza, corte,
incisão, deslizamento.
caroço
caruncho
coração
pedra

(vida depois do corte)

coração bichado
pedra-coração
coração de pedra / coração da pedra
caroço-coração
coração bichado

é preciso atirar pedras para continuar no ar
(pulsou: couraça, carcaça, carosso)

o bicho pulsa dentro da fruta.

o caroço restou.
o coração pulsa, pesa.
resta, repousa.
tem um caroço dentro do coração?
tem coração no caroço?
o coração é um começo?

é preciso atirar caroços para continuar no ar
é preciso atirar o coração para continuar no ar

(a morte)
as vidas entre
(o amor)
o que bichou o coração?
quem comeu o amor?
o que está ao redor do caroço?
e sob o coração da palavra?
a pedra anoitece, pulsando como um caroço do mundo.

escreve com pedra, lê com o coração

indecifrável vazio

Raquel Stolf

sob trechos-escutas de Alice Nassu, Carolinaa Sanches, Diogo Blanco, Edson Luiz da Silva Silveira, Felipe Melhado, Luiz Niekawa, Pablo Blanco, Ron Padgett, entre janeiro e março de 2026

Data e horário

Visitação até dia 24 de março, das 15h às 19h
Entrada gratuita

Local

Grafatório – rua Mossoró, 483, Londrina-PR

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