{"id":3668,"date":"2020-11-25T10:15:10","date_gmt":"2020-11-25T12:15:10","guid":{"rendered":"https:\/\/grafatorio.com\/site\/?post_type=product&#038;p=3668"},"modified":"2026-02-12T17:45:43","modified_gmt":"2026-02-12T20:45:43","slug":"vou-la-e-faco","status":"publish","type":"product","link":"https:\/\/grafatorio.com\/site\/produto\/vou-la-e-faco\/","title":{"rendered":"Vou L\u00e1 e Fa\u00e7o: Vida-Obra de Oswaldo Diniz \u2013 Felipe Melhado, Gabriel Daher e Teixeira Quintiliano"},"content":{"rendered":"<p>O t\u00edtulo da biografia diz muito sobre o biografado: um realizador cheio de paix\u00e3o, cuja inventividade e ousadia em uma Londrina basicamente conservadora marcou sua curta \u2013 por\u00e9m intensa \u2013 passagem pela cidade. O livro escrito pelos jornalistas Felipe Melhado, Gabriel Daher e Teixeira Quintiliano dedica-se a reabilitar essa figura fundamental da hist\u00f3ria cultural londrinense, mas cuja vida e obra s\u00e3o raramente lembradas e pouqu\u00edssimo conhecidas das novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Diniz: Vida-Obra<\/strong><\/p>\n<p>Nascido em 1940 em Paragua\u00e7u Paulista, no interior de S\u00e3o Paulo, Oswaldo Diniz mudou-se para Londrina no in\u00edcio dos anos 1960. Em um momento em que a cena teatral da cidade come\u00e7ava a fervilhar, seu esp\u00edrito atirado e o jeito meio punk de produzir arte fizeram dele um dos realizadores mais capazes da cena local. Entre diversas montagens que foram sucesso de p\u00fablico e de cr\u00edtica, Diniz dirigiu pe\u00e7as transgressoras, revolucion\u00e1rias para aquela Londrina de modos conservadores, servis, e que ent\u00e3o era amplamente favor\u00e1vel \u00e0 ditadura militar. Entre suas principais realiza\u00e7\u00f5es est\u00e3o as montagens de Revolu\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica do Sul, de Augusto Boal, e de O Assalto, de Jos\u00e9 Vicente. Ambas pe\u00e7as foram vencedoras, em 1968 e 69, das duas primeiras edi\u00e7\u00f5es do Festival Universit\u00e1rio de Londrina, uma mostra competitiva que daria origem ao celebrado FILO.<\/p>\n<p>No entanto, a imensa popularidade de Diniz na cidade, para al\u00e9m da vida teatral, era devida principalmente \u00e0 sua atua\u00e7\u00e3o na m\u00eddia local. Ainda nos anos 1960 ele foi um dos principais nomes da TV Coroados, o Canal 3, primeira emissora de televis\u00e3o do interior do Brasil. Ao lado do carioca David Conde, nos prim\u00f3rdios da teledramaturgia brasileira, Diniz produzia e dirigia pe\u00e7as que eram encenadas ao vivo na televis\u00e3o local. Mas foram seus programas musicais que marcaram \u00e9poca na pr\u00e9-hist\u00f3ria da TV caipira: Bossa Total, um programa dedicado \u00e0 MPB que ele apresentava junto de sua irm\u00e3 Maria L\u00facia Diniz, e Ala Jovem, uma esp\u00e9cie de vers\u00e3o local da Jovem Guarda, que ele produzia e apresentava com o irm\u00e3o Edson Diniz e a cantora Marta Santos. Na aurora do rock\u2019n\u2019roll, Ala Jovem recebeu e divulgou in\u00fameras bandas de jovens de Londrina e de toda a regi\u00e3o, dando grande impulso \u00e0 cultura roqueira no Norte do Paran\u00e1.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de fazer enorme sucesso na TV, Oswaldo Diniz ainda trabalhou como radialista na R\u00e1dio Alvorada, onde comandou diversos programas de m\u00fasica e de entretenimento, e no in\u00edcio dos anos 1970 tamb\u00e9m fez parte da <em>Folha de Londrina<\/em>. No jornal, come\u00e7ou como designer gr\u00e1fico em um momento em que a <em>Folha<\/em> modernizava seu sistema de impress\u00e3o, e mais tarde acumulou tamb\u00e9m a fun\u00e7\u00e3o de jornalista. Diniz era colunista do jornal e foi o criador e editor do Caderno 3, um caderno de cultura e variedades. Em um momento de libera\u00e7\u00e3o dos costumes, o caderno editado por ele trazia conte\u00fados antenados, modernos e \u00e0s vezes pol\u00eamicos \u2013 como os retratos de homens seminus que estamparam a primeira p\u00e1gina do Caderno 3 por alguns meses. Como jornalista da <em>Folha<\/em>, ele registrou importantes momentos da cultura local, como o Festival Colher de Ch\u00e1 e o show Na Boca do Bode, al\u00e9m de ter atuado como designer nas primeiras edi\u00e7\u00f5es do <em>Brasil Mulher<\/em>, um dos primeiros jornais feministas do pa\u00eds, editado em Londrina por sua amiga Joana Lopes.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s uma temporada de dez anos em S\u00e3o Paulo, Diniz retornou a Londrina no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980, quando abriu com seu companheiro um bar e lanchonete chamado P\u00e3o, Fil\u00e9 &amp; Cia. Por um breve per\u00edodo, o bar se tornaria um dos redutos preferidos dos artistas, jornalistas e intelectuais da cidade. O fim da empreitada deveu-se tamb\u00e9m ao falecimento precoce de Diniz, em julho de 1984, aos 44 anos, com complica\u00e7\u00f5es no es\u00f4fago. Embora na \u00e9poca o diagn\u00f3stico fosse algo incerto, tudo leva a crer que Diniz tenha se tornado uma das primeiras v\u00edtimas do HIV em Londrina, o que consternou a todos os seus amigos, colegas de trabalho e admiradores.<\/p>\n<p>Por onde passou, Diniz deixou marcas singulares com seu talento, seu faro para novidades, sua erudi\u00e7\u00e3o pop, seu gosto plural e sem preconceitos e seu \u00edmpeto realizador. Por isso ele cativou uma pequena multid\u00e3o de amigos e de f\u00e3s na cidade. No entanto, Diniz tamb\u00e9m causou v\u00e1rios dissensos em Londrina: no teatro, foi acusado de ser um subversivo pela direita e de ser demasiado reacion\u00e1rio pela esquerda militante. A cr\u00edtica ao seu trabalho feita pela esquerda mais ortodoxa foi o que levou Diniz, inclusive, a abandonar sua carreira nos palcos. Na televis\u00e3o, antes da Tropic\u00e1lia embaralhar a polariza\u00e7\u00e3o que existia entre a MPB e o rock, Diniz j\u00e1 transitava com desenvoltura entre esses estilos \u00e0 frente dos programas Bossa Total e Ala Jovem, o que incomodava as cabe\u00e7as mais bin\u00e1rias da cidade. Como homossexual assumido, ele incomodou tamb\u00e9m a mentalidade machista da prov\u00edncia. E nos anos 1970, nas p\u00e1ginas da <em>Folha de Londrina<\/em>, al\u00e9m de realizar leituras sofisticadas sobre a cultura local, ele foi um cr\u00edtico criterioso dos \u00eddolos da nascente contracultura, postura que desconcertava aqueles que o julgavam como um entusiasta ac\u00e9falo de tudo o que estava na crista da onda.<\/p>\n<p><strong>O livro<\/strong><\/p>\n<p><em>Vou L\u00e1 e Fa\u00e7o: A Vida-Obra de Oswaldo Diniz<\/em> \u00e9 o resultado de meses de pesquisa bibliogr\u00e1fica, consultas a jornais antigos, acervos particulares e de entrevistas com familiares, amigos, f\u00e3s e colegas de trabalho de Diniz. A pesquisa e a autoria do livro foram realizadas a seis m\u00e3os por Felipe Melhado (jornalista e editor), Gabriel Daher (jornalista) e Teixeira Quintiliano (jornalista, m\u00fasico e documentarista). O posf\u00e1cio \u00e9 assinado pelo historiador e fil\u00f3sofo Tony Hara. S\u00e3o 142 p\u00e1ginas repletas de fotos e depoimentos que retratam a vida e o trabalho de Oswaldo Diniz, com \u00eanfase em sua atua\u00e7\u00e3o em Londrina. O texto \u00e9 um perfil biogr\u00e1fico com toques ensa\u00edsticos, uma leitura leve e veloz que pode ser feita em \u00fanico dia.<\/p>\n<p>O design do livro \u00e9 assinado pela dupla Maikon Nery e Gustavo Andr\u00e9, e \u00e9 inspirada na visualidade de revistas contraculturais dos anos 1960 e 70. A sobrecapa do livro traz uma colet\u00e2nea de notas escritas por Diniz e publicadas originalmente na <em>Folha de Londrina<\/em> e conta com uma impress\u00e3o artesanal em serigrafia realizada em parceria com o Est\u00fadio Kilz.<\/p>\n<p><em>Vou L\u00e1 e Fa\u00e7o: Vida-Obra de Oswaldo Diniz<\/em> contou com o patroc\u00ednio da Prefeitura Municipal de Londrina via PROMIC \u2013 Programa Municipal de Incentivo \u00e0 Cultura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><strong>Em Londrina, \u00e0 venda em:<\/strong><br \/>\n<strong>Nosso Sebo (Rua Para\u00edba, 205)<\/strong><br \/>\n<strong>Loja Ciranda (Rua Hugo Cabral, 656)<\/strong><\/p>\n<p><em>Tiragem<\/em>\u2003600 exemplares<br \/>\n<em>Pap\u00e9is<\/em>\u2003Miolo em p\u00f3len bold, sobrecapa em p\u00f3len soft, capa em cart\u00e3o.<br \/>\n<em>Impress\u00e3o<\/em>\u2003Offset em verde e rosa fl\u00faor. T\u00edtulo da sobrecapa em serigrafia.<br \/>\n<em>Encaderna\u00e7\u00e3o<\/em>\u2003Brochura.<br \/>\n<em>Dimens\u00f5es<\/em>\u200316\u00d725cm<\/p>\n","protected":false},"featured_media":3702,"template":"","meta":[],"product_brand":[],"product_cat":[25],"product_tag":[],"class_list":{"0":"post-3668","1":"product","2":"type-product","3":"status-publish","4":"has-post-thumbnail","6":"product_cat-produtos","7":"product_shipping_class-livros","9":"first","10":"instock","11":"shipping-taxable","12":"purchasable","13":"product-type-simple"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/grafatorio.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/product\/3668","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/grafatorio.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/product"}],"about":[{"href":"https:\/\/grafatorio.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/product"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/grafatorio.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3702"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/grafatorio.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3668"}],"wp:term":[{"taxonomy":"product_brand","embeddable":true,"href":"https:\/\/grafatorio.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/product_brand?post=3668"},{"taxonomy":"product_cat","embeddable":true,"href":"https:\/\/grafatorio.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/product_cat?post=3668"},{"taxonomy":"product_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/grafatorio.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/product_tag?post=3668"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}